Cinética de secagem de café natural beneficiado com alto teor de água

Valdiney Cambuy Siqueira, Flávio Meira Borém, Guilherme Euripedes Alves, Eder Pedroza Isquierdo, Afonso Celso Ferreira Pinto, Diego Egidio Ribeiro, Fabiana Carmanini Ribeiro

Resumo


Objetivou-se, com o presente trabalho, propor um novo método de processamento e secagem, assim como avaliar o comportamento dos grãos submetidos a este processo, por meio da taxa de redução de água e do ajuste de diferentes modelos matemáticos aos dados experimentais da secagem. Os frutos colhidos no estágio maduro foram divididos em três lotes. O primeiro foi seco continuamente à temperatura de 40±1 °C. O segundo consiste na secagem do café natural até os teores de água de 0,56±0,02, 0,41±0,02, 0,28±0,02 e 0,20±0,02 decimal (base seca, b.s.), seguido de beneficiamento e secagem contínua nas temperaturas de 35±1 ºC e 40±1 ºC. O terceiro lote correspondeu à secagem contínua do café descascado e desmucilado na temperatura de 40±1 °C. Em todos os lotes, a secagem foi encerrada quando os grãos atingiram o teor de água de 0,12±0,05 (b.s.). Aos dados experimentais da secagem foram ajustados dez modelos matemáticos utilizados para representação da secagem dos produtos agrícolas. Além da representação da cinética de secagem foi avaliada a taxa de redução de água dos grãos. Conclui-se que a taxa de redução de água é maior para a temperatura de secagem de 40±1 °C, especialmente para maiores teores de água. O tempo total de secagem do café beneficiado com alto teor de água é expressivamente reduzido, quando comparado ao tempo de secagem completa do café natural. O modelo de Midilli descreve satisfatoriamente a cinética de secagem do café beneficiado.

Palavras-chave


Ajuste de modelos; taxa de secagem; temperatura; Coffea arabica

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